Introdução
Publicado inicialmente em folhetim, em 1908, esse romance traz histórias vividas nos arredores de uma comunidade de pescadores de Copacabana, que se interligam e apresentam situações — ainda tão comuns hoje em dia — envolvendo racismo, misoginia, feminicídio, violência contra mulheres, violência contra crianças e tanto mais. Também trata da especulação imobiliária e do avanço acelerado do progresso. A Igrejinha de Nossa Senhora de Copacabana, que deu nome ao bairro, foi uma das vítimas desse progresso. Todavia, o ponto forte são os personagens, principalmente as mulheres. Júlia Lopes sempre ousou na criação de personagens femininas e buscou honestamente representar as diferentes mulheres, de maneira respeitosa e amorosa. Júlia não se furtou em denunciar a violência contra as mulheres, nem em criar personagens masculinos capazes de tantas e tão diferentes formais de fazer sofrer uma mulher. E esse romance traz essa denúncia de forma poderosa e marcante.
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Sinopse
Cruel amor, um romance universal, complexo e brilhantemente construído, narra as histórias, incluindo dois triângulos amorosos, de uma comunidade de pescadores em Copacabana, no Rio de Janeiro, e da população praiana local na primeira década do século XX, com a chegada da urbanização, do progresso acelerado, dos mais ricos e dos primeiros palacetes. Esse romance adianta elementos do Modernismo e traz histórias atemporais, que se interligam e apresentam uma gama de situações envolvendo racismo, misogínia, feminicídio etc. Um clássico fundamental!
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a autora
Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida (1862 — 1934) foi uma escritora, cronista, teatróloga e abolicionista brasileira. Tem uma produção grande e importante para a literatura brasileira, de literatura infantil a romances, crônicas, peças de teatro e matérias jornalísticas. Foi a única mulher a participar da fundação da Academia Brasileira de Letras (ABL) em 1897, mas teve seu nome excluído da lista de imortais quando os fundadores optaram por manter a Academia exclusivamente masculina. Júlia se tornou um símbolo vanguardista e lutou pelo direito das mulheres, como a educação formal, o divórcio e o acesso ao voto, e também pelo abolicionismo, pela república e a favor dos direitos civis. Ela foi a primeira escritora profissional do Brasil, tendo sido celebrada, nas primeiras décadas do século XX, como a maior romancista da geração que sucedeu Machado de Assis, antes da eclosão do movimento modernista.
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Dados técnicos:
Loja/livraria virtual da Delirium editora. A Delirium — voltada para a busca de histórias e textos criativos, indo do lirismo à loucura, passando pelo lúdico, sempre com ousadia — é uma microeditora carioca, que vem crescendo. Temos no nosso catálogo e no planejamento o intuito de publicar livros ousados e criativos, com temas importantes, sempre com um jeito imaginativo de criar histórias.